Broa, pipoca, curau, canjica, angu… Pode escolher seus pratos favoritos porque a temporada prevê uma safra recorde de milho no Brasil.

A previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é que a produção nacional de milho vai atingir 124,88 milhões de toneladas em 2023, número 9% maior que o da temporada passada. O Globo Rural foi ainda mais ousado e projetou o volume da colheita em 126 milhões de toneladas.

Já deu para ver que expectativas foram criadas com os resultados, né? Mas a gente sabe que não basta falar dos números sem contextualizá-los. Por isso, te convidamos a passear por todas as regiões do país e entender o que gerou esses resultados e o que eles significam. Vamos!

Três safras ao ano

Você sabia que o Brasil é o único país entre os principais produtores do grão no mercado que pode produzir até três safras de milho por ano? Isso é resultado de investimentos em tecnologia e melhorias no campo.

Mesmo que as datas de plantio e colheita variem dependendo da localidade, o país possui três safras de milho por ano: a primeira safra (verão), a segunda safra (safrinha) e a terceira safra (inverno). Esta última ocorre, principalmente, em alguns estados do Nordeste.

Em 2023, foram 21,97 milhões de hectares dedicados ao cultivo do grão. Além do aumento na área plantada, o clima ajudou os resultados.

Exportação

O portal Terra Investimentos afirma que o país pode se tornar o maior exportador de grãos nos próximos anos, superando os Estados Unidos e a China. A demanda pelo milho é alta, pois além de ser uma das principais fontes de alimento por aqui, o cultivo do grão permite o uso sustentável do solo através da rotação de culturas.

A perspectiva é de que o Brasil consiga exportar milho a preços competitivos em 2023 e liderar o mercado, devido à escassez global do grão causada por eventos como a guerra entre Rússia e Ucrânia e a queda na produtividade nos Estados Unidos. A demanda da China também impulsionará as exportações brasileiras.

Cultivo de milho no Brasil

O Brasil é o terceiro maior produtor de milho do mundo, ficando atrás apenas dos EUA e da China. Nossas lavouras conseguem atender tanto ao mercado interno quanto ao externo. E não é para menos, afinal, vemos o cultivo do grão em praticamente todos os estados do país.

Solo

A cultura é influenciada, basicamente, pelo clima e pelo solo. Em relação ao solo, características como textura, profundidade efetiva e relevo são importantes para o desenvolvimento do grão.

Isso significa que solos de textura média, com boa capacidade de retenção de água e nutrientes, são recomendados, enquanto solos arenosos devem ser evitados devido à baixa capacidade de retenção. A profundidade ideal é superior a 1 metro para o crescimento das raízes. Quanto ao relevo, o ideal é a topografia plana e suave.

Porém, a gente sabe que o cereal, mesmo em condições não ideais, pode se desenvolver nos quatro cantos do país.

Clima

Quanto ao clima, a radiação, a precipitação e a temperatura desempenham um papel significativo na produção. O milho responde positivamente ao aumento da intensidade luminosa. Porém, a precipitação é fundamental para a disponibilidade de água no solo, influenciando indiretamente a radiação solar.

Clima no Nordeste e no Sul é determinante

Em regiões temperadas, a temperatura pode determinar o sucesso da lavoura. Antes de a gente passar por cada uma das regiões do país, vamos citar um dos desafios brasileiros (principalmente no Nordeste e no Sul), relacionado às temperaturas muito baixas ou muito altas.

Durante a fase de germinação, as temperaturas ideais do solo para o crescimento adequado da cultura ficam entre 25°C e 30°C. Ponto de cuidado: temperaturas do solo abaixo de 10°C ou acima de 40°C causam danos significativos à germinação das sementes. Na floração, o cuidado também é o mesmo.

Chuva

O período chuvoso é o mais adequado para o plantio do milho no Brasil, porque supre as necessidades de consumo de água sem precisar da irrigação.

Safra recorde de milho

Bora entender como é o cultivo de milho em cada uma das regiões brasileiras?

Região sul

A região é conhecida por sua tradição agrícola e climas mais amenos. Todos os três estados (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) se destacam na produção de milho. Nessas terras férteis, são cultivadas variedades como o milho branco e o milho para pipoca.

A produção é expressiva e contribui para a alimentação tanto humana quanto dos animais. Da lavoura o grão segue para a produção de diversos produtos derivados, como óleo, fubá e ração animal.

Agora, na segunda safra, a seca afetou a produção no estado do Rio Grande do Sul, mas ainda assim, espera-se um aumento na área plantada e na produtividade.

Região sudeste

Aqui, destacam-se os estados de São Paulo e Minas Gerais. A região é caracterizada por uma grande diversidade climática, que favorece o cultivo de diferentes variedades de milho. O milho verde, consumido principalmente na forma de espigas cozidas, é um dos destaques dessa região.

Também encontramos o milho utilizado na fabricação de pamonhas, curais e canjicas, iguarias típicas das festas juninas. Além disso, o grão é direcionado à indústria de alimentos, sendo usado na produção de farinhas, amidos e outros derivados.

Região nordeste

Nessa região, a produção de milho é influenciada pelo clima semiárido e pelas características da agricultura familiar. O destaque fica com Bahia, Ceará e Pernambuco.

Neles, após a colheita, o destino principal do cereal é o prato do brasileiro, já que o grão é utilizado na preparação de comidas típicas, como a canjica, o cuscuz e o munguzá. Além disso, o milho também é utilizado na alimentação animal, especialmente na criação de aves e suínos.

Região norte

No Norte, apesar de não ser a atividade agrícola mais expressiva nessa região, o milho é cultivado principalmente nos estados do Pará e Tocantins. Aqui, a produção é voltada para a alimentação animal e para a produção de farinha, um dos principais ingredientes da culinária local.

O clima equatorial exerce uma influência dupla na produção de milho. Por um lado, as altas temperaturas e a disponibilidade de água podem impulsionar o crescimento das plantas e acelerar o ciclo de desenvolvimento. Por outro lado, as chuvas intensas, o encharcamento do solo e os desafios relacionados à umidade podem representar obstáculos que precisam ser superados com práticas adequadas de manejo e controle de pragas e doenças.

Região centro-oeste

Seguindo em direção ao Centro-Oeste, encontramos espaços marcados pela agricultura intensiva. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul são os principais produtores de milho nessa região. O clima tropical favorece o cultivo, e as grandes áreas de plantio garantem uma produção expressiva. Para completar, o maior município produtor de milho também fica na aqui: Jataí (GO).

Aqui, a produção de milho é voltada principalmente para a alimentação animal, sendo usado na composição de rações para bovinos, suínos e aves. Além disso, o milho é utilizado na produção de etanol.

A colheita da safrinha de milho já começou e as expectativas são ótimas, especialmente no Mato Grosso. Apenas no estado, a produção pode chegar a 47 milhões de toneladas. O número equivale a cerca de 37% de toda produção nacional do grão.

Problemas da safra recorde de milho

A maior preocupação dos produtores com a safra recorde de milho é com a lei de oferta e demanda do mercado: quanto maior a disponibilidade, menor a valorização. Isso pode colocar tudo a perder, tornando inviável a atividade por conta dos custos envolvidos.

No Mato Grosso, o preço da saca de milho (60 quilos) caiu de R$70 para R$35 e os insumos não acompanharam essa queda. Portanto, há incerteza sobre a rentabilidade da produção.

O assunto de hoje deu pano pra manga, né? Você viu como a safra recorde de milho pode impactar o mercado e levar o Brasil à posição número 1 na exportação. Maior área plantada, clima favorável e versatilidade do grão para suportar diversas condições faz com que o milho seja produzido em todo o país. Inclusive, a gente passeou por cada região para isso ficar bem claro.

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