Dicas de como encontrar e negociar com um caminhoneiro autônomo

2020-05-29T17:33:07-03:0029/05/2020|Categorias: Logística e Transportes|

A tecnologia já toma conta das estradas, principalmente nas mãos do caminhoneiro autônomo, com o desenvolvimento de ferramentas para facilitar o encontro com empresas interessadas no transporte de cargas que movimenta o país. 

Nesses novos tempos de incertezas em todos os setores a ideia de repensar as atividades toma força e com o transporte de carga isso não pode ser diferente. Um levantamento da Fretebras, maior plataforma de cargas da América do Sul, com mais de 400 mil caminhoneiros cadastrados, apontou uma queda na oferta de fretes para o transporte rodoviário de cargas na marca dos 25% já na primeira semana de abril, em comparação com o mesmo período do mês anterior.

Os efeitos do coronavírus se espalham por varejo, indústria e pelas estradas do país, ditando um novo ritmo. Para as transportadoras, mesmo com clientes de atuação nacional, é chegada a hora de ampliar a área de atuação, o que pode incluir uma mãozinha aos parceiros de outras regiões que têm dificuldades de encontrar cargas.

Aumentar a oferta de caminhões nas regiões que mais precisam deles é uma boa estratégia para quem quer fugir da crise e a contratação de caminhoneiro autônomo é boa forma para isso. Mais do que nunca, a construção de um bom relacionamento é imprescindível para fidelizá-los, evitando o risco de manter com eles apenas contratos pontuais.

De olho no detalhe

Na verdade, não é de hoje que as transportadoras sabem da importância de contratar o caminhoneiro autônomo e a maioria desses profissionais já se deu conta de que essa parceria é uma boa solução, principalmente em tempos difíceis. Para essas empresas é uma grande ajuda, pois, via de regra, elas tentam equilibrar uma equação com muitos contratos e pouca frota, o que significa mais oportunidades de fretes e cargas para os autônomos.

Apesar de ser ação estratégica para várias empresas, a contratação do caminhoneiro autônomo necessita de atenção em alguns pontos, como providenciar o seguro próprio da carga e, já de posse dos documentos do motorista, fazer uma consulta em uma gerenciadora de riscos. 

Quanto ao pagamento, como é ilegal que seja feito por carta-frete, pode-se optar por depósito bancário em conta cujo titular seja o transportador com registro RNTR-C, ou conforme a ANTT, por intermédio de uma administradora de meio de pagamento eletrônico. Em ambos os casos é exigida a emissão do CIOT. 

Outros pontos que merecem cuidado são: a tributação diferenciada para o serviço do caminhoneiro autônomo, que deve ser recolhida pela empresa; a necessidade de nota fiscal, devendo o motorista ter CNPJ; e a conferência da documentação básica, como CNH, RNTR-C, CRLV, comprovante de residência e telefones.  

Em um cenário incerto vale ampliar os horizontes, principalmente com a ajuda da tecnologia. O levantamento da Fretebras apontou que no mês de abril o maior impacto nos fretes do transporte rodoviário de cargas aconteceu no setor de industrializados, com quase 38% de queda, seguido pelo de construção, com 34%. Para o estudo, a empresa utilizou sua base de dados, que conta com a publicação de 400 mil fretes mensais, realizada por empresas transportadoras em busca de caminhoneiros.  

Destacamos alguns pontos importantes na negociação com um caminhoneiro autônomo:

1 – O primeiro passo é entender que negociar é tentar obter resultados que sejam bons para ambos os lados, a empresa e o caminhoneiro autônomo. Assim, a negociação não é uma disputa, ou seja, o objetivo é chegar a um acordo vantajoso. A postura cordial, a firmeza na argumentação e a flexibilidade ajudam a criar um ambiente de negociação mais agradável;

2 – A carga é o fator principal para definir um frete. É preciso que a empresa conheça bem o mercado e os produtos com que atua, suas características, embalagens, restrições, pois terá mais argumentos na negociação, sabendo exatamente do que precisa, qual a média de mercado e o que é indispensável para a carga;

3 – O destino ou a quilometragem a ser percorrida são informações importantes para a base de cálculo. A negociação com o caminhoneiro autônomo deve abordar as taxas que incidem durante o percurso e fatores que podem atrasar a entrega, como a condição das estradas, segurança no trajeto (locais que podem alterar no preço do seguro) ou áreas de difícil acesso. Se o destino da entrega está fora de áreas comerciais, a empresa também pode negociar prazos;

4 – Conhecer o preço de diversas empresas para identificar a média de mercado e chegar a um frete mais competitivo também faz parte da negociação. A tabela da ANTT traz os valores que devem orientar o preço do frete pago ao caminhoneiro autônomo. Os valores variam conforme o tipo de carga e quilômetro rodado. É importante reforçar que, caso a transportadora ou embarcador pague valor abaixo da tabela, a empresa poderá ser multada;

5 – Contar com o auxílio de empresas especializadas ou treinar a equipe interna podem ser boa estratégia para o sucesso da negociação com o caminhoneiro autônomo. Leia mais sobre negociação de fretes

Como encontrar um caminhoneiro autônomo?

Com a evolução da tecnologia os caminhos para encontrar o caminhoneiro autônomo ficaram mais concentrados na tecnologia, via celular, embora algumas empresas ainda utilizem as formas mais tradicionais. Sendo assim, o caminhoneiro autônomo pode ser encontrado:

1 – Em plataformas especializadas na localização de fretes, que cadastram gratuitamente o caminhoneiro autônomo e o conectam às empresas por meio de um aplicativo, facilitando a busca. Para os caminhoneiros a solução tem sido positiva e vêm resolvendo as questões de aproveitamento de espaço vazio ou de retorno sem carga. Na plataforma da Fretebras, por exemplo, os motoristas autônomos cadastrados acessam rapidamente os anúncios de carga disponibilizados pelas empresas e já encontram opções antes de chegar ao destino;

2 – Em grupos de redes sociais e aplicativos de mensagem, em que os contratantes se comunicam com os motoristas participantes. A ideia funciona, mas tem abrangência limitada, restrita às indicações e aos contatos. Além disso, esses grupos não trazem as informações necessárias para uma avaliação da experiência do caminhoneiro autônomo com outras cargas. Para isso, seria necessário entrar em contato com empresas que foram atendidas pelo motorista, o que demanda tempo.

3 – Em postos de combustíveis, através de anúncios. Essa é a forma com que alguns operadores ainda buscam por aquele caminhoneiro autônomo que costuma ficar parado nesses locais por vários dias, após a entrega de uma carga, à espera de um novo frete. Nesses casos, a atenção deve ser redobrada, pois a empresa não consegue se certificar da experiência do motorista, nem os caminhoneiros conhecem a credibilidade da contratante;

4 – Via agenciador de fretes, pessoa física ou jurídica que se responsabiliza pela intermediação, integridade e entrega da carga no prazo estipulado.  Os agenciadores costumam cobrar um percentual sobre o frete negociado e, para contratá-los, é necessário buscar referências.

Para saber mais sobre negociação de fretes e como funciona a Fretebras para transportadoras, clique aqui

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