O ano de 2022 não foi fácil para o agro. Tivemos interferência da inflação, alterações climáticas, conflitos mundiais e alta no preço de insumos. O conjunto de fatores direcionou para o fechamento do ano não como a gente esperava (com queda de 4,1% no PIB), mas com uma expectativa de melhora para o próximo ano. Por isso, para chegar preparado na próxima safra, é importante mapear os desafios do agronegócio.

Bora entender quais são os desafios do agronegócio em 2023?

Aumento de preço dos insumos

Quem sofreu com o aumento do preço dos defensivos e fertilizantes em 2022 levanta a mão? Alguns insumos subiram o preço em mais de 100%, dá para acreditar?

A alta dos fertilizantes iniciou em 2020, com a pandemia, causando a ruptura do abastecimento (crise dos fertilizantes) e o problema foi intensificado com a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entre 2020 e 2022, os preços dos insumos abaixo subiram nas seguintes proporções:

  • Potássio, 269%
  • Fósforo, 239%
  • Ureia importada pelo Brasil, 345,4% (entre 2018 e 2022)

Como resultado, no período de dois anos, o custo da produção aumentou em mais de 150%. Entre os principais desafios do agronegócio em 2023 está contornar o problema, deixando a produção mais barata e a margem de lucro um pouco maior.

Em relação à indústria de fertilizantes russa, Putim determinou a cobrança de um novo tributo para equilibrar as contas russas. Com isso, as cotações de ureia e fosfatados devem ser de 20% superiores já no início de 2023 (dados: Sicoob Credicitrus).

Os combustíveis passaram por um período de alta, mas já houve o resfriamento da situação e a normalização dos preços.

Problemas de logística

Mais de 70% de tudo que é produzido no Brasil é distribuído pelas rodovias. O problema é que a condição das estradas não é boa. A Confederação Nacional do Transporte (CNT) avaliou que 57% dos trechos das rodovias estão em estado regular, ruim ou péssimo de conservação.

Outro desafio logístico a ser superado é aumentar a capacidade de armazenamento dos produtos agrícolas. A Companhia Nacional de Abastecimento (CNA) afirma que nossa capacidade é cerca de 27% menor do que o volume produzidoe deveria ser 20% maior. Com isso, os produtores têm que vender os alimentos logo após a colheita, o que não é ideal porque a oferta é maior e o preço mais baixo.

Por fim, há a necessidade de controle do desperdício. Geralmente, uma parte da colheita é perdida no transporte. É possível usar alguns artifícios para diminuir as perdas como telas metálicas com malhas nos veículos, conferir o estado de conservação das lonas, além de prendê-las bem à carroceria.

Inflação ainda preocupa

A previsão é que a inflação de alimentos e bebidas suba menos em 2023 do que 2022, mas os valores ainda preocupam. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), entre 2020 e 2022, o setor acumulou alta de 36,06%, sendo 10,91% só no período de janeiro a novembro de 2022.

Para 2023, os economistas projetam números mais próximos ao índice geral de preços, ou seja, reajustes na faixa de 5% a 6%. Esse seria o melhor cenário, contando que as previsões da safra sejam alcançadas, sem influências climáticas negativas.

A desaceleração da economia mundial tenderá a frear o preço dos alimentos agrícolas, que tiveram cotações altas no mercado internacional por causa da guerra entre Rússia e Ucrânia. Esse acontecimento também encarece o custo de insumos, como fertilizantes, tornando nossa produção cara. São desafios a serem enfrentados agora.

Guerra da Ucrânia ainda impacta o mercado negativamente

Quem achou que a guerra entre Ucrânia e Rússia não impactava o agronegócio, errou redondamente. Em 2022, o conflito influenciou na disponibilidade mundial de insumos e de grãos, assim como a distribuição e a compra dos alimentos pelos nossos parceiros comerciais.

Se a disputa continuar, a previsão de desaceleração do PIB mundial será confirmada, o que prejudicará as exportações brasileiras do agronegócio. E tem mais: o poder econômico de potências como a China, Estados Unidos e União Europeia sofrerá queda, diminuindo o volume de compra.

Expectativa de crescimento

Não desanime porque tem notícia boa por aí! A expectativa para a safra de grãos de 2022/2023 é de crescimento expressivo, mais precisamente 15,5% em relação ao período anterior. Isso quer dizer 42 milhões de toneladas a mais e um volume total de 313 milhões de toneladas. Os dados são da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Alguns fatores que reforçam a estimativa são o aumento da área plantada e recuperação da produtividade da soja após o prejuízo causado pela seca na região Sul, em 2022. Além da soja, a cana-de-açúcar e o milho tiveram sua produção reduzida, muito por causa de questões climáticas como o La Niña.

Impacto do agronegócio no PIB brasileiro

Apesar do fechamento de 2022 ser com a queda de 4,1%, a previsão do agronegócio é o crescimento de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do setor em 2023. De acordo com a CNA, o Valor Bruto de Produção foi 2,2% maior que em 2021, chegando a incrível marca de R$1,3 trilhão.

Alguns dados interessantes:

  • No ramo agrícola, a receita subiu 3,3%
  • Na pecuária, o aumento foi de apenas 0,1%
  • Entre janeiro a novembro, o agronegócio correspondeu a 48% das vendas externas brasileiras
  • Carne bovina, soja e milho somam 58,4% do valor total arrecadado

Viu como os desafios do agronegócio em 2023 não são fáceis, mas também não são impossíveis de serem superados? As previsões de especialistas são favoráveis. A gente tá preparado para fazer história, levando sua produção com agilidade, segurança e sem burocracia. Quer mais informação? Baixe a 8ª edição do Relatório Fretebras e entenda, com detalhes, tudo o que rolou no setor no transporte rodoviário de cargas no 1º semestre de 2022.

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