Margem apertada não é novidade pra quem vive de frete, não é mesmo? É diesel, pneus e ainda tem os custos que ninguém vê na planilha. Quando o gestor percebe, o lucro da operação já foi corroído e o frete que parecia bom virou prejuízo.
Apesar disso tudo, precificar é um processo. Com os dados certos da sua operação, dá para chegar a um preço justo.
Neste guia, você vai ver o passo a passo de como separar custos fixos e variáveis, calcular a cubagem do jeito certo e aplicar margem sem esquecer os impostos. No final, três estratégias pra reajustar valores sem perder cliente. Bora conferir?
Copiar a tabela do concorrente parece atalho, mas é uma das receitas mais rápidas para o prejuízo operacional. Isso porque o preço dele foi feito para a estrutura de custos dele.
Na prática, quem precifica pela média do mercado assume dois riscos ao mesmo tempo:
Atenção: existe um limite legal nessa conta. A Política Nacional de Pisos Mínimos (Lei 13.703/2018) define valores mínimos de frete por tipo de carga, número de eixos e distância. Mas isso não é uma estratégia de preço, já que a ANTT não conhece os seus custos. Quem precisa conhecer é você.
Para começar, vale a regra de ouro: custo fixo existe mesmo com o caminhão parado; custo variável nasce quando a roda gira. Misturar os dois é o erro mais comum de precificação.
| Custos fixos (existem com o caminhão parado) | Custos variáveis (crescem com o km rodado) |
| Salários e encargos dos motoristas | Combustível (óleo diesel / Arla 32) |
| Seguros obrigatórios da operação (RCTR-C, RC-DC e RC-V) | Pedágios da rota definida |
| Depreciação real dos veículos | Manutenção preventiva/corretiva e lubrificantes |
| Custos administrativos (escritório, sistemas, licenças) | Desgaste e recapagem de pneus |
A fórmula-base é:
Custo por km = (custos fixos mensais ÷ km rodados no mês) + custo variável por km
Exemplo (substitua pelos números da sua frota):
É aqui que os “custos invisíveis” aparecem na conta. Se o caminhão ficar parado esperando carga ou na fila do carregamento e rodar só 7.000 km no mês, o custo fixo por km salta para R$ 2,57 — e o custo total vai a R$ 5,27/km sem você ter gastado um real a mais.
Em segundo lugar, como nem toda carga pesa o que parece, cobrar só pelo peso real da balança é transportar espaço de graça. É para isso que existe o fator de cubagem.
No transporte rodoviário brasileiro, o padrão consolidado de mercado é 300 kg/m³. Essa é uma convenção do setor, não uma norma da ANTT. Em operações de carga fracionada, é comum trabalhar com 200 a 250 kg/m³. Então, é essencial registrar o fator adotado em contrato e cotação.
Confira agora a conta:
Um colchão de casal embalado mede cerca de 1,90 m × 1,40 m × 0,30 m, ou seja, 0,8 m³, e pesa uns 30 kg na balança.
Se a transportadora precificar essa viagem pelos 1.800 kg da balança, vai cobrar por uma carga “leve” enquanto entrega o veículo inteiro. Com isso, o frete-peso vira prejuízo se não fizerem o cálculo de cubagem.
Por fim, com o custo por km e o peso taxável definidos, falta a margem. Veja dois conceitos que muita gente confunde:
O erro clássico é aplicar a margem direto sobre o custo e esquecer que os impostos incidem sobre o preço, não sobre o custo.
Preço do frete = custo total da viagem ÷ [1 − (% impostos + % despesas comerciais + % margem desejada)]
Exemplo:
Preço = 4.500 ÷ [1 − 0,30] = 4.500 ÷ 0,70 = R$ 6.428,57
O que acontece na conta “errada”, aplicando só 15% sobre o custo? Nesse caso, o frete sai por R$ 5.175. Desse valor, 12% de imposto (R$ 621) e 3% de despesas (R$ 155) deixam R$ 4.399 no caixa. Isso é menos que o custo de R$ 4.500. Você fechou a viagem achando que tinha 15% de lucro e rodou no prejuízo.
Com a Reforma (EC 132/2023 e LC 214/2025), o ICMS e o PIS/Cofins serão substituídos gradualmente pelo IVA Dual (CBS + IBS) entre 2026 e 2033.
Em 2026 vale a fase de teste, com alíquotas de 0,9% (CBS) e 0,1% (IBS) destacadas nos documentos fiscais.
Na prática, o percentual de “impostos” do seu markup deixa de ser um número fixo e passa a depender do regime e do aproveitamento de créditos. Então refaça a simulação a cada fase da transição.
Precificar certo é metade do jogo. A outra metade é sustentar o preço na mesa de negociação.
Ancore a conversa em índices públicos e verificáveis: o IPCA (IBGE) para os custos gerais e o preço médio do diesel do levantamento semanal da ANP para o combustível.
Estabeleça em contrato que se o diesel variar além de um percentual definido, a tabela de frete é reajustada automaticamente.
Caminhão que volta batendo lata (vazio) consome diesel, pedágio e desgaste sem gerar um real de receita.
Quando a transportadora garante o frete de retorno, a matemática inverte e todo mundo sai ganhando.
Como vimos, a matemática da precificação fica muito mais leve quando você garante receita nos dois sentidos da viagem. E com a plataforma da Fretebras, sua transportadora tem acesso imediato à maior base de cargas da América Latina.
Encontre fretes de retorno compatíveis com a sua frota em minutos, reduza o custo por quilômetro rodado e aumente sua lucratividade sem precisar encarecer o preço para o seu cliente principal!
Sou formado em Publicidade e Propaganda pela Universidade de Ribeirão Preto e especializado em Conteúdo e Estratégia Digital pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
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