Ei, motorista, você sabe como calcular frete por km? Como o diesel sobe, o pedágio aperta e a manutenção não avisa, qualquer frete parece bom se você não entender quanto custa o seu quilômetro. Aí quando a conta chega, é um susto.
É por isso que preparamos este guia. Você vai aprender a calcular o valor real do seu km rodado, entender a tabela de piso mínimo da ANTT e montar uma conta simples para nunca mais aceitar viagem no prejuízo. Bora?
O erro que faz muitos caminhoneiros pagarem para trabalhar
Tem muito parceiro de estrada confundindo faturamento com lucro. O frete pagou R$ 5.000? Ótimo. Mas quanto ficou no seu bolso depois do diesel, do pedágio, do pneu que gastou e da parcela do caminhão?
O erro mais comum é olhar só para o dinheiro que entra e esquecer o que sai, principalmente os custos que não aparecem na hora, como manutenção e depreciação. É assim que motorista experiente acaba pagando para trabalhar sem perceber: a viagem cobre o diesel, mas “come” o pneu, o óleo e o seu tempo.
Dica de ouro: frete bom não é o que paga mais. É o que sobra mais depois de pagar tudo.
Passo a passo prático para calcular o valor do seu quilômetro rodado
Para calcular o frete por km, some todos os seus custos fixos mensais, divida pela quilometragem que você roda por mês e adicione o custo variável por km (diesel, pedágio, desgaste). Sobre esse total, aplique a margem de lucro desejada. O resultado é o mínimo que você deve cobrar por quilômetro.
Agora vamos abrir essa conta, parte por parte.
Custo fixo (manutenção, IPVA, seguro) vs. custo variável (diesel, pedágio)
Custo fixo é o que você paga mesmo com o caminhão parado:
- Parcela do financiamento ou valor de depreciação do caminhão
- IPVA e licenciamento
- Seguro do veículo e da carga
- Rastreador e mensalidades
- Manutenção preventiva programada (revisões)
- Seu pró-labore — sim, o seu salário entra na conta
Já o custo variável é o que só existe quando a roda gira:
- Diesel
- Pedágio da rota
- Arla 32
- Pneus (calcule o custo por km: preço do jogo ÷ vida útil em km)
- Óleo, filtros e desgaste mecânico proporcional
- Alimentação e estadia na viagem
A conta na prática:
- Custo fixo por km = total de custos fixos do mês ÷ km rodados no mês
- Custo variável por km = (litros de diesel × preço do litro + pedágios + desgaste) ÷ km da viagem
- Custo total por km = custo fixo/km + custo variável/km
- Preço mínimo por km = custo total/km + margem de lucro (comece pensando em 15% a 20%)
Se o frete oferecido paga menos que o seu custo total por km, você vai ficar no prejuízo.
Como usar a tabela de piso mínimo da ANTT a seu favor?
A tabela da ANTT existe pra te proteger. Ela define o valor mínimo que pode ser pago pelo transporte de carga no Brasil, com base na Política Nacional de Pisos Mínimos (Lei n.º 13.703/2018). O cálculo do piso usa uma fórmula simples:
Piso mínimo da viagem = (distância em km × CCD) + CC
CCD: é o coeficiente de deslocamento (custo por km rodado, que varia por tipo de carga e número de eixos)
CC: é o coeficiente de carga e descarga.
Os coeficientes atualizados estão sempre no site oficial da ANTT. Mas atenção, porque tem novidade em 2026:
- A Resolução ANTT n.º 6.076/2026 atualizou a metodologia de cálculo do piso, alinhando os coeficientes ao custo real de rodar
- A fiscalização agora é eletrônica: a ANTT cruza os dados do MDF-e, do CT-e e do CIOT automaticamente. Frete abaixo do piso pode ser bloqueado antes mesmo do carregamento
- O CIOT é obrigatório para todas as operações e é sempre gratuito
Detalhe importante: a tabela da ANTT é o piso, não o teto. Ela garante que ninguém pague menos que o mínimo legal. Como só você sabe a sua realidade e os seus custos, use a tabela apenas como base para a negociação, combinado?
Exemplo prático de cálculo de frete para rotas longas
Vamos simular uma rota longa com números redondos, só pra você ver a lógica funcionando. É só substituir pelos seus custos reais.
Cenário: viagem de 1.500 km (ida), caminhão rodando 10.000 km/mês.
Passo 1 — Custo fixo por km
| Custo fixo por km | |
|---|---|
| Custo fixo mensal | Valor (exemplo) |
| Parcela/depreciação | R$ 4.500,00 |
| Seguro + rastreador | R$ 1.200,00 |
| IPVA/licenciamento (mês) | R$ 300,00 |
| Manutenção preventiva (média mensal) | R$ 1.500,00 |
| Pró-labore (seu salário) | R$ 5.000,00 |
| Total fixo | R$ 12.500,00 |
| Custo fixo por km = R$ 12.500 ÷ 10.000 km = R$ 1,25/km | |
Passo 2 — Custo variável da viagem (1.500 km)
| Custo variável da viagem (1.500 km) | |
|---|---|
| Custo variável | Valor (exemplo) |
| Diesel (1.500 km ÷ 2,5 km/l × preço do litro na sua região) | R$ 4.200,00 |
| Pedágios da rota | R$ 600,00 |
| Arla + desgaste de pneus/óleo | R$ 750,00 |
| Alimentação/estadia | R$ 450,00 |
| Total variável | R$ 6.000,00 |
| Custo variável por km = R$ 6.000 ÷ 1.500 km = R$ 4,00/km | |
Passo 3 — Fechando a conta:
- Custo total por km = R$ 1,25 + R$ 4,00 = R$ 5,25/km
- Com margem de 20% = R$ 6,30/km
- Valor mínimo da viagem = R$ 6,30 × 1.500 km = R$ 9.450
Então, se oferecerem R$ 8.000 por essa rota, parece dinheiro bom. Mas na SUA conta, como caminhoneiro autônomo, é prejuízo.
Dica: monte essa planilha uma vez, atualize o preço do diesel toda semana e recalcule antes de cada negociação. Dez minutos de conta valem mais que 1.000 km rodados de graça.
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Sou formado em Publicidade e Propaganda pela Universidade de Ribeirão Preto e especializado em Conteúdo e Estratégia Digital pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

