O impacto do coronavírus no mercado de transporte rodoviário de cargas

2020-04-23T18:24:04-03:0023/04/2020|Categorias: Logística e Transportes|

Considerado atividade essencial e estratégica, o transporte rodoviário de cargas vem se adaptando aos efeitos da pandemia: de um lado a alta demanda de alguns segmentos e, de outro, a ausência de cargas de matéria prima, em um cenário com serviços de portas fechadas.

A quarentena do Covid-19, o novo coronavírus e os efeitos da pandemia por ele provocada ainda parecem longe de uma solução. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que fica a critério de governadores e prefeitos avaliarem qualquer mudança de status no isolamento social e o Ministério da Saúde vive agora a troca de comando para as orientações ao sistema e à população. Em comum, ao que parece quase todos têm a incerteza do melhor rumo a seguir em situação tão inusitada. 

No estado de São Paulo, que concentra 34% da indústria brasileira, a quarentena foi decretada no dia 22 de março pelo governador João Doria (PSDB), deixando a atividade laboral restrita às áreas consideradas essenciais como saúde, segurança, abastecimento e alimentação. Portarias semelhantes foram regulamentadas em diversos municípios e o transporte rodoviário de cargas está entre as atividades essenciais. 

A quarentena já causou um reboliço em todas as áreas. A FecomercioSP estima uma perda diária de cerca de R$ 300 milhões de faturamento bruto no comércio não essencial, setor que agrega autopeças, concessionárias, eletrodomésticos, construção, móveis e decoração e vestuário. 

Informações da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) dão conta de que a produção da indústria elétrica e de eletrônicos no país caiu 7% em fevereiro na comparação com o mesmo período do ano passado. Entre as questões que impactam o transporte rodoviário de cargas desse segmento estão os problemas com a chegada de materiais e componentes da China que afetaram, de cara, os fabricantes de produtos como celulares e computadores. 

Dados da entidade mostram ainda a redução na produção de bens eletrônicos, tais como: equipamentos de comunicação (-19,3%), de bens de informática (-10,5%), aparelhos de áudio e vídeo (-12,1%) e instrumentos de medida (-3,4%). Por outro lado, a produção de componentes eletrônicos cresceu 23%.

Na área elétrica, a retração observada foi na produção de lâmpadas (-13,8%), de geradores, transformadores e motores (-8,7%) de pilhas e baterias (-7,6%), e de outros equipamentos elétricos não especificados anteriormente (-16,5%), grupo em que estão classificados os aparelhos elétricos de alarme para proteção contra roubo ou incêndio e eletrodos, escovas e outros artigos. 

Com a prorrogação da quarentena, anunciada pelo governo paulista para 10 de maio, fica também postergada em São Paulo a volta à normalidade das atividades de indústria, comércio e do transporte rodoviário de cargas, modal responsável por 65% das mercadorias movimentadas no país. A FecomercioSP estima que o fechamento do comércio varejista no mês de abril terá um impacto de R$ 35 bilhões nas vendas.

Efeitos da pandemia na oferta e nos preços de fretes

Um levantamento da Fretebras, maior plataforma de cargas da América do Sul, com mais de 390 mil caminhoneiros cadastrados, aponta que a queda na oferta de fretes para o transporte rodoviário de cargas chegou a 25% na primeira semana de abril, em comparação com o mesmo período do mês anterior. Para o estudo, a empresa utilizou sua base de dados, que conta com a publicação de nada menos que 400 mil fretes mensais, realizada por empresas transportadoras em busca de caminhoneiros.  

O maior impacto nos fretes do transporte rodoviário de cargas foi registrado no setor de industrializados, com quase 38% de queda, seguido pelo de construção, com 34%, todos motivados pela paralisação ou a operação em capacidade reduzida de muitas empresas. O agronegócio brasileiro desponta como setor menos afetado pelos efeitos da pandemia, segundo a pesquisa Fretebras, registrando queda de 1,4%, certamente por estar às voltas com a safra recorde de soja que precisa ser escoada, uma vez que o interesse comercial, principalmente do exterior, se mantém firme.

Outro estudo, desta vez realizado pela da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) em 23 e 24 de março, aponta a redução de 40,7% nas entregas em lojas e de 29% nas entregas em residências. Já as de medicamentos não registraram recuo. Entre os dias 30 de março e seis de abril, houve redução de 24,55% da demanda por mercadorias transportadas para supermercados, segmento que registrava alta de 23% na semana anterior.

Importação e exportação

Com o comércio exterior retraído, um número reduzido de navios está navegando. Isso faz com que o espaço para os contêineres seja mais disputado e, consequentemente, mais caro. A redução no número de navios é motivada também pelo fato de que vários portos chineses estão operando com menos colaboradores, o que reduz a velocidade de movimentação de cargas e atrasa as viagens, provocando um efeito dominó. A boa notícia é que com o dólar alto e a necessidade da China de aumentar a importação de alimentos há maior competitividade para o agronegócio no exterior. 

No Brasil, para escoar a produção, indústria e produtores de soja enfrentaram alta no frete do transporte rodoviário de cargas, pois como as medidas para conter o novo coronavírus incluíam o fechamento de restaurantes pelas estradas os caminhoneiros passaram a recusar viagens longas e cobrar mais, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE). Apesar de tudo, são raros os relatos de empresas associadas sobre falta de caminhão para levar o produto até os portos, na avaliação da entidade. 

Caminhoneiros autônomos

Uma medida do governo deve restabelecer o funcionamento desses restaurantes, o que certamente vai equilibrar um pouco mais a situação. Um alívio para os caminhoneiros autônomos que não podem parar, pois como são donos do próprio negócio não contam com as garantias dos que são contratados das empresas de transporte rodoviário de cargas, como o afastamento no caso de pertencerem ao grupo de risco, por exemplo.  

Ficaram suspensos também, até o mês de junho, o funcionamento dos postos com balanças de fiscalização nas rodovias federais, visando evitar tempo de parada e contatos. Afinal, o momento pede garantias de boas condições de trabalho para todos os caminhoneiros, o que inclui a redução de burocracia, funcionamento de postos de combustível e, principalmente, mais segurança nas estradas. Vale frisar que o transporte rodoviário de cargas, por decreto, está entre as atividades que não podem ser interrompidas durante a pandemia.

A expectativa é a de que as autoridades mundiais de saúde consigam avançar no tratamento e cura do novo coronavírus e que todos os setores voltem a crescer o quanto antes.

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